- A presença de javalis e seus híbridos tem provocado prejuízos em lavouras de Mato Grosso do Sul e levado produtores da região Oeste do Estado a mudar a estratégia de cultivo. Em algumas propriedades, os danos causados pelos animais foram tão intensos que agricultores optaram por substituir áreas antes destinadas ao milho segunda safra pelo cultivo de sorgo granífero, considerado uma alternativa diante da pressão dos suiformes.
- A colheita do milho segunda safra 2025/2026 segue avançando no Estado e atingiu 75,1% da área monitorada até o dia 21 de agosto, segundo levantamento do Projeto SIGA-MS, desenvolvido pela Aprosoja/MS. O percentual representa aproximadamente 1,66 milhão de hectares colhidos.
- Apesar dos problemas pontuais causados pela fauna, o cenário geral das lavouras permanece positivo. De acordo com o levantamento, 69% das áreas avaliadas apresentam boas condições, enquanto 19,7% estão em situação regular e 11,3% são classificadas como ruins.
- A estimativa para a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul aponta uma área cultivada de aproximadamente 2,206 milhões de hectares, com produtividade média prevista de 84,2 sacas por hectare e produção total estimada em 11,139 milhões de toneladas.
- O impacto dos javalis, porém, tem preocupado produtores principalmente em regiões onde os animais encontram facilidade para acessar as plantações. Além de destruírem plantas, os suiformes podem causar perdas econômicas ao se alimentarem das lavouras e ao danificarem áreas durante a movimentação pelo campo.
- Na região Oeste do Estado, alguns agricultores passaram a avaliar alternativas de manejo e substituição de culturas em locais considerados mais vulneráveis. O sorgo granífero aparece como uma opção por apresentar características diferentes de desenvolvimento e menor atratividade em determinadas situações quando comparado ao milho.
- Além dos ataques de javalis, técnicos acompanham outros fatores que podem afetar o desempenho das lavouras, como ocorrência de vendavais e o controle de plantas daninhas. A Aprosoja/MS mantém um painel de acompanhamento para registrar ocorrências de suiformes e auxiliar no mapeamento dos impactos no setor produtivo.
- A situação reforça um desafio crescente para a agricultura sul-mato-grossense: conciliar a alta produtividade das lavouras com medidas de controle de espécies que podem causar prejuízos ao produtor rural.