- O agronegócio brasileiro espera que o próximo presidente da República enfrente problemas estruturais que afetam a produção, a renda dos produtores e a competitividade do país no mercado internacional. Entre as principais demandas estão a redução do custo do crédito rural, a ampliação do seguro agrícola, a prevenção de perdas provocadas por eventos climáticos, a melhoria da infraestrutura e a diminuição da dependência de insumos importados. Os desafios foram destacados em reportagem publicada pelo g1 nesta sexta-feira (9), com base em especialistas e em propostas da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
- Um dos principais entraves é o endividamento dos produtores, que dificulta o acesso a novos financiamentos e compromete a capacidade de investimento. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, os juros elevados e o aumento dos pedidos de recuperação judicial reforçam a necessidade de mecanismos que tornem o crédito rural mais acessível e previsível.
- Outro ponto de preocupação é o seguro rural, considerado importante para proteger os produtores contra perdas decorrentes de secas, excesso de chuva e outros eventos climáticos. Dados citados na cobertura indicam que apenas uma parcela reduzida da área agrícola brasileira conta com essa proteção, deixando grande parte da produção exposta a prejuízos. A ampliação da cobertura e a criação de instrumentos de resposta a catástrofes climáticas estão entre as medidas defendidas pelo setor.
- A dependência de fertilizantes importados também preocupa. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos fertilizantes que consome, o que deixa a produção nacional vulnerável a oscilações de preços, conflitos internacionais e problemas nas cadeias de abastecimento. O Plano Nacional de Fertilizantes busca ampliar a produção interna, mas especialistas ressaltam que a redução dessa dependência exige investimentos e planejamento de longo prazo.
- Na infraestrutura, o setor aponta a necessidade de melhorar o transporte da produção, ampliar a integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias e expandir o acesso à internet no campo. As condições de armazenamento, logística e conectividade influenciam os custos operacionais e a capacidade de adoção de tecnologias nas propriedades rurais.
- A ampliação do acesso aos mercados internacionais também está entre as prioridades. Barreiras comerciais e exigências de outros países podem limitar as exportações, enquanto mudanças nas regras e nos custos de produção afetam a competitividade brasileira. A Abag defende maior coordenação entre governo, setor produtivo e instituições de pesquisa para enfrentar esses obstáculos.
- As demandas mostram que os desafios do agronegócio não dependem apenas de medidas imediatas. Parte das soluções exige políticas públicas contínuas, investimentos e articulação entre governos e iniciativa privada, com resultados que podem ultrapassar o período de um mandato presidencial.