2 de novembro de 2026
Inflação desacelera em outubro, mas acumulado em 12 meses ultrapassa 4,6%
Publicado em 23 de outubro de 2026 - 13h29
  1. A prévia da inflação brasileira desacelerou para 0,32% em outubro, após registrar alta de 0,70% em setembro, mas o acumulado em 12 meses chegou a 4,62%, acima do teto de tolerância de 4,5% da meta de inflação. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23).
  2. Apesar da desaceleração mensal, o resultado mostra que a pressão sobre o custo de vida continua. No acumulado de 2026, o índice registra alta de 4,15%. Em outubro do ano passado, a variação mensal havia sido de 0,18%.
  3. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito apresentaram aumento de preços. Alimentação e bebidas liderou as altas, com avanço de 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual no índice geral. Na sequência apareceram despesas pessoais, com 0,55%, vestuário, com 0,53%, e comunicação, com 0,43%.
  4. Artigos de residência subiram 0,28%, saúde e cuidados pessoais avançaram 0,15%, educação teve alta de 0,09% e transportes aumentou 0,05%. Habitação foi o único grupo com queda, de 0,10%.
  5. Tomate, cebola e batata encarecem
  6. A alimentação dentro de casa acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. Entre os principais aumentos estão o tomate, que disparou 24,54%, a cebola, com alta de 13,63%, a batata-inglesa, que subiu 10,96%, e o arroz, com avanço de 5,80%. O tomate foi o item individual que mais contribuiu para pressionar a prévia da inflação.
  7. Na direção contrária, a cenoura ficou 10,67% mais barata, enquanto as frutas tiveram redução média de 1,37% e o café moído recuou 1,16%.
  8. O avanço dos alimentos foi o principal fator de pressão sobre o resultado de outubro, mostrando que a desaceleração do índice geral não representou uma redução disseminada dos preços pagos pelos consumidores.
  9. Conta de luz e passagens aéreas aliviam o índice
  10. Em transportes, os combustíveis subiram, em média, 1,2%. O óleo diesel registrou aumento de 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina ficou 0,92% mais cara. O gás veicular teve queda de 0,18%.
  11. As passagens aéreas, por outro lado, ficaram 9,24% mais baratas e foram o item que mais contribuiu para reduzir o índice, com impacto negativo de 0,08 ponto percentual.
  12. Em habitação, a principal contribuição para a queda veio da energia elétrica residencial, que recuou 0,89%. O movimento ocorreu após a mudança da bandeira tarifária de amarela para verde em outubro, eliminando a cobrança adicional por bandeira nas contas de luz.
  13. Em setembro, a energia elétrica havia pressionado a inflação após o encerramento do desconto relacionado ao bônus de Itaipu, concedido nas contas de agosto.
  14. Inflação ainda exige atenção
  15. Na avaliação do economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a desaceleração mensal é positiva, mas ainda não indica uma trajetória consistente de queda da inflação. Para ele, a pressão dos alimentos continua sendo um ponto de atenção.
  16. A meta contínua de inflação estabelecida pelo governo é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior é de 4,5%. O IPCA-15 acumulado em 12 meses ficou acima desse patamar em outubro, embora o indicador seja uma prévia e não substitua o IPCA cheio utilizado oficialmente para avaliar o cumprimento da meta.
  17. O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do índice oficial, mas tem período de coleta e abrangência geográfica diferentes. Para o resultado de outubro, os preços foram pesquisados entre 16 de setembro e 14 de outubro. O levantamento considera famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos e acompanha 367 produtos e serviços em 11 localidades brasileiras.
  18. O IPCA cheio de outubro está previsto para ser divulgado pelo IBGE em 12 de novembro. Até lá, a prévia oferece um sinal de que a inflação perdeu força no mês, mas ainda enfrenta pressões importantes, principalmente nos preços dos alimentos.
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