10 de outubro de 2026
Inflação sobe 0,82% em setembro e ultrapassa teto da meta em 12 meses
Publicado em 09 de outubro de 2026 - 10h39

Fim do desconto na conta de luz foi o principal fator de pressão; alimentos e combustíveis também ficaram mais caros

  1. A inflação oficial voltou a acelerar em setembro, com alta de 0,82%, pressionada principalmente pelo aumento da conta de luz após o fim do desconto do Bônus de Itaipu. Com o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
  2. Em agosto, o índice havia registrado deflação de 0,32%, e o acumulado em 12 meses estava em 4,22%. A alta de setembro foi a maior desde março deste ano, quando o IPCA avançou 0,88%. No acumulado de 2026 até setembro, a inflação chegou a 3,95%.
  3. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%. Desde 2025, o cumprimento da meta é avaliado com base no acumulado dos últimos 12 meses, e não apenas no resultado fechado em dezembro.

Conta de luz lidera as altas

  1. O grupo Habitação registrou aumento de 2,31% em setembro e foi o que mais contribuiu para a inflação do mês. O principal motivo foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,98% e teve o maior impacto individual no índice, de 0,32 ponto percentual.
  2. A elevação está relacionada ao fim do Bônus de Itaipu, crédito que reduziu as contas de energia emitidas em agosto. Sem o desconto, as faturas de setembro voltaram a refletir valores mais altos. Reajustes tarifários em algumas cidades também influenciaram o resultado nacional.
  3. Para outubro, a previsão de bandeira tarifária verde representa uma perspectiva de alívio na conta de luz, já que não haverá cobrança adicional associada à bandeira naquele mês.

Passagens aéreas e combustíveis também pressionam

  1. O grupo Transportes subiu 0,89%, impulsionado principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram 9,66% mais caras. Os combustíveis também registraram aumento médio de 1,41%, com altas na gasolina, no etanol, no diesel e no gás veicular.
  2. Alimentação e bebidas avançou 0,83%, interrompendo uma sequência de três meses de queda. A alimentação consumida em casa subiu 0,96%, com aumentos expressivos em produtos como tomate, batata-inglesa e cebola.
  3. O tomate teve alta de 37,76%, enquanto a batata-inglesa subiu 24,07% e a cebola, 10,14%. O arroz ficou 4,56% mais caro, e as carnes tiveram aumento de 0,63%. Na direção contrária, o frango inteiro caiu 1,96%, o frango em pedaços recuou 1,41% e as frutas ficaram 1,12% mais baratas.
  4. Segundo a análise divulgada pelo IBGE, condições climáticas e questões relacionadas à oferta contribuíram para a alta de alguns alimentos. Frio e excesso de chuva podem prejudicar o amadurecimento e a qualidade de determinados produtos, reduzindo a disponibilidade e pressionando os preços.

Inflação supera expectativas

  1. O resultado de setembro ficou acima das projeções de mercado divulgadas antes da publicação dos dados. As estimativas variavam conforme a pesquisa: levantamentos citados pela imprensa apontavam previsões entre 0,73% e 0,76% para a inflação mensal.
  2. O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços pesquisados que registraram aumento, chegou a 55%, ante 54% em agosto. Isso indica que a alta de preços atingiu pouco mais da metade dos 377 itens acompanhados pelo IBGE.
  3. O grupo de serviços subiu 0,61% em setembro e acumulou alta de 5,98% em 12 meses. Já os preços monitorados, que incluem itens cujos valores sofrem influência de contratos ou decisões regulatórias, avançaram 1,59% no mês e 4,13% em um ano.
  4. O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. O indicador é uma das principais referências utilizadas pelo Banco Central para acompanhar a inflação e orientar as decisões sobre a taxa básica de juros.
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