- Um novo parvovírus entrou no radar de pesquisadores e autoridades veterinárias após uma síndrome incomum ser identificada em leitões na Holanda e na Dinamarca. Os animais apresentam sinais como olhos projetados para fora, estrabismo, vermelhidão e alterações na pele, perda de pelos e crescimento irregular. Em alguns casos, os sinais chegaram a atingir até 80% dos leitões em metade das leitegadas, embora as mortes diretamente associadas ao quadro sejam consideradas baixas.
- Os primeiros casos investigados na Holanda foram observados a partir de 2024 e, posteriormente, o problema se espalhou por diversas granjas. Até agosto de 2025, mais de 80 propriedades holandesas já haviam relatado a síndrome. Os sinais aparecem principalmente em leitões e animais jovens entre duas e dez semanas de idade, embora outros grupos também possam apresentar alterações.
- A investigação encontrou material genético de um novo protoparvovírus em todos os animais afetados analisados. As maiores quantidades de material viral foram identificadas principalmente no fígado e nos rins. O genoma apresentou mais de 98% de identidade com um parvovírus anteriormente encontrado em raposas, o chamado fox parvovirus. Técnicas de investigação também localizaram material genético do vírus em células do fígado e dos rins dos animais doentes.
- A descoberta de um vírus geneticamente semelhante em raposas, no entanto, não significa que esses animais sejam a origem da infecção dos suínos. Pesquisadores ainda não sabem como o vírus chegou às granjas, qual é a forma de transmissão ou se a fauna silvestre participa efetivamente desse processo. Na Dinamarca, estudos encontraram o vírus em uma granja com 920 matrizes, onde, em junho de 2026, cerca de 1,5% a 2% dos leitões e animais de creche apresentaram sinais semelhantes.
- A preocupação aumentou a ponto de a Animal and Plant Health Agency (APHA), autoridade veterinária do Reino Unido, emitir alertas para que profissionais fiquem atentos a casos semelhantes. Em setembro de 2026, a agência reforçou que a síndrome apresenta alta morbidade em alguns rebanhos, mas baixa mortalidade, e que a maioria dos animais se recupera.
- Apesar das fortes evidências de associação entre o novo parvovírus e a síndrome, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: a relação causal ainda não foi definitivamente comprovada. São necessários novos estudos epidemiológicos e experimentais para determinar o papel exato do vírus no desenvolvimento dos sinais clínicos e esclarecer sua origem e forma de transmissão.
- Até o momento, também não há evidências de risco para a saúde humana ou de preocupação relacionada à segurança dos alimentos associada a esse novo parvovírus. A principal preocupação permanece concentrada na saúde e na produtividade dos rebanhos suínos.