12 de outubro de 2026
Bombeiro acusado de feminicídio diz que teve surto e não sabe como fugiu de presídio em MS
Publicado em 08 de outubro de 2026 - 11h19
  1. O subtenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Elianderson Duarte, de 45 anos, afirmou durante interrogatório que sofreu um surto psicótico e que não sabe como conseguiu fugir do Presídio Militar Estadual, em Campo Grande. Réu pelo feminicídio da esposa, a enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, ele escapou da unidade no dia 12 de junho e foi recapturado duas semanas depois, na Vila Almeida.
  2. Segundo o relato apresentado pelo militar, ele teria apenas lembranças fragmentadas do período em que esteve foragido. Elianderson afirmou que se recorda de “flashes” e que teria se visto primeiro em uma região de mata e, posteriormente, na casa de um conhecido. Ele também disse que não sabe como chegou ao imóvel e que não se lembra do momento em que foi recapturado.
  3. Ainda conforme o depoimento, o subtenente afirmou que não retornou ao presídio porque “a cabeça não estava boa” e declarou que utiliza medicação controlada desde 2021. Ele também reconheceu que não tinha autorização para deixar a unidade prisional. As declarações foram divulgadas pelo Midiamax.
  4. A investigação sobre a fuga aponta que a evasão ocorreu de maneira rápida. Conforme relatório citado pelo Midiamax, um dos policiais responsáveis pelo monitoramento havia verificado as imagens das câmeras menos de um minuto antes de a fuga acontecer. Mesmo permanecendo na sala de monitoramento durante o período, o militar não teria percebido a saída do subtenente.
  5. Outro policial também estava no local e não identificou a fuga. Os responsáveis pelo monitoramento relataram ainda que as câmeras da unidade não possuem sensores de movimento e que, naquela noite, a qualidade das imagens estava prejudicada pela chuva forte e pela iluminação deficiente. Os policiais afirmaram não ter conhecimento de qualquer pessoa que tenha auxiliado Elianderson na evasão.
  6. Após a fuga, o subtenente permaneceu foragido por cerca de duas semanas. Ele foi localizado no dia 26 de junho em uma residência na Vila Almeida, em Campo Grande, por uma equipe da Força Tática da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar. Uma denúncia anônima indicou que um foragido estaria escondido no endereço. No imóvel, os policiais encontraram Elianderson na companhia do irmão e do proprietário da casa.
  7. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou o militar pelo crime de deserção por evasão ou fuga, previsto no Código Penal Militar. Diante das alegações relacionadas à saúde mental e da dúvida apontada sobre sua integridade mental, o órgão também requereu a instauração de um incidente de insanidade mental. A medida é destinada a avaliar, por meio do procedimento adequado, as condições mentais do acusado.
  8. Elianderson está preso desde março, quando foi detido após a agressão contra a esposa em Ponta Porã. Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, foi atacada com golpes de marreta na cabeça dentro da residência da família, no bairro Vila Reno. Ela permaneceu internada em estado grave e teve a morte confirmada em 6 de março. O caso passou a ser investigado como feminicídio consumado.
  9. Além da morte da esposa, o militar também responde pelas agressões contra os filhos do casal. Conforme as investigações divulgadas à época, uma filha foi vítima de tentativa de feminicídio e um filho sofreu tentativa de homicídio qualificado durante o ataque.
  10. Após a morte de Liliane, a família autorizou a doação de seus órgãos. Rins e fígado foram captados no Hospital da Vida, em Dourados, e destinados a transplantes.
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