- O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar possível dano ambiental envolvendo um frigorífico de aves em Sidrolândia, após uma fiscalização encontrar efluentes e resíduos do abate espalhados pelo solo e seguindo em direção à Fazenda Nova Alvorada, propriedade vizinha ao empreendimento. A vistoria identificou líquido com elevada carga de matéria orgânica, além de vísceras, cabeças e penas de aves.
- O frigorífico envolvido é a Seara Alimentos Ltda., empresa do grupo JBS, localizada às margens da BR-060, no município de Sidrolândia. Segundo informações apuradas no procedimento, a propriedade rural fica nos fundos da unidade industrial e as proprietárias relatam que problemas relacionados a vazamentos ocorrem desde 2023.
- Durante a fiscalização, a Polícia Militar Ambiental (PMA) constatou que o material líquido se acumulava sobre o solo e escoava pelo declive natural do terreno. No caminho, foram encontrados resíduos provenientes do processamento das aves, incluindo vísceras, cabeças e penas, que acabavam chegando à área vizinha.
- A vistoria também identificou uma irregularidade no sistema de condução dos resíduos dentro do frigorífico. Conforme relatado pelo responsável pelo setor ambiental, teria ocorrido uma obstrução na galeria que transporta o material até a peneira de recepção, fazendo com que parte do conteúdo extravasasse para fora do sistema de condução.
- Segundo a PMA, a unidade possui capacidade operacional aproximada de 210 mil aves abatidas por dia, o que representa uma grande geração de resíduos orgânicos e efluentes industriais. Na fiscalização, além do material espalhado, foram observados forte odor de matéria orgânica em decomposição e presença de aves necrófagas, principalmente urubus, atraídos pelos resíduos expostos.
- Diante das irregularidades constatadas, a PMA aplicou multa de R$ 500 mil à empresa e estabeleceu penalidade diária de R$ 25 mil enquanto a irregularidade persistir. O enquadramento considera a possibilidade de poluição capaz de causar danos à saúde, à fauna ou à biodiversidade, além do lançamento de resíduos em desacordo com as normas ambientais.
- O caso também resultou em uma autuação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). O órgão determinou que fossem adotadas medidas para interromper o extravasamento e que os resíduos orgânicos fossem retirados das áreas atingidas, incluindo a propriedade vizinha. A empresa recebeu prazo para regularizar o sistema e impedir novos lançamentos de material sobre o solo.
- As proprietárias da Fazenda Nova Alvorada afirmam que os problemas são anteriores à fiscalização mais recente. Segundo os relatos apresentados no procedimento, elas comunicaram à empresa episódios de vazamento em diferentes ocasiões desde novembro de 2023 e afirmam que a situação teria provocado erosão e prejuízos em áreas destinadas ao cultivo de soja e milho.
- Ainda conforme os documentos citados na apuração, as proprietárias chegaram a realizar uma notificação extrajudicial em setembro de 2025, cobrando reparos na canalização, limpeza e descontaminação da área afetada e ressarcimento pelos prejuízos alegados.
- O MPMS agora deverá aprofundar a investigação, com análise técnica das condições ambientais da área e coleta de informações para verificar a extensão dos impactos e eventuais responsabilidades. O procedimento ainda está em andamento e poderá resultar na adoção de novas medidas conforme os elementos reunidos durante a apuração.