Um homem que está preso na Penitenciária Estadual Masculina da Gameleira I, em Campo Grande, é apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema de tráfico internacional de cocaína que teria movimentado cerca de R$ 4,5 milhões em apenas seis meses. Cristhian Thomas Vieira, conhecido como “Tio Doni”, foi alvo da Operação Dinheiro Suado, deflagrada nesta quarta-feira (7) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Minas Gerais.
A investigação começou após a prisão de Cristhian, em novembro de 2025, na cidade de Uberlândia (MG). Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado atuava no tráfico internacional de cocaína proveniente da Bolívia e utilizava uma estrutura financeira para ocultar os recursos obtidos com a venda das drogas.
De acordo com as investigações, Cristhian era sócio de uma academia localizada no bairro Nova Ponte, em Uberlândia, que teria sido utilizada para lavagem de dinheiro. A identificação da movimentação financeira ocorreu após a análise de comprovantes bancários. A academia foi alvo de buscas durante a operação desta quarta-feira.
A Operação Dinheiro Suado cumpriu mandados em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. A Justiça determinou ainda bloqueios de bens e valores que podem chegar a R$ 7,85 milhões. A organização investigada, segundo a Ficco, era dividida em núcleos, com integrantes responsáveis pela logística de transporte e distribuição das drogas e outros encarregados de ocultar ou dissimular o dinheiro por meio de contas bancárias, empresas e bens registrados em nome de terceiros.
Durante uma das ações em Minas Gerais, policiais federais e militares localizaram uma pistola calibre .380 e 56 munições escondidas na estrutura de um sofá. O homem apontado como proprietário da arma foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Apesar de ter obtido liberdade provisória mediante pagamento de fiança, ele permaneceu preso por causa de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça Federal.
O histórico de Cristhian inclui a prisão em Uberlândia, quando, segundo a investigação, ele teria tentado esconder uma pistola calibre .380 com 13 munições e danificar um celular. Na ocasião, também foram apreendidos outros aparelhos telefônicos e três veículos de luxo avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão. Ele teria permanecido escondido na Bolívia por determinado período, de onde, conforme as investigações, a cocaína era enviada para o Brasil.
O nome de Cristhian também apareceu em uma investigação sobre um suposto plano para atacar um juiz de Uberlândia. Após sua prisão, ele foi transferido para o sistema prisional de Mato Grosso do Sul e atualmente está custodiado na Gameleira I, em Campo Grande.
Em Mato Grosso do Sul, a operação também cumpriu medidas contra investigados em Aquidauana. Uma mulher foi alvo de buscas e de mandado de prisão com monitoramento eletrônico. Outros dois homens, Ronivaldo dos Reis Silveira e Jhonny Barboza Damasceno, conhecido como “Zoio”, também tiveram prisões temporárias decretadas.
A operação segue sob investigação das forças de segurança. Os envolvidos são investigados por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro, e as acusações ainda serão submetidas às etapas previstas no processo judicial.