- Ex-banqueiro afirma que recursos foram destinados à produção de filme e ao Instituto Lula em meio a negociações envolvendo fundos de pensão; presidente e ministro negam irregularidades
- O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em áudios e documentos obtidos pela revista Veja, ter destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, o relato faz parte de uma denúncia mais ampla sobre supostas cobranças de propina em negociações para ampliar os negócios do Banco Master com fundos de pensão de empresas estatais. A reportagem foi publicada nesta sexta-feira (9).
- De acordo com a Veja, Vorcaro relatou que as negociações envolveram o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o então sócio do banqueiro, Augusto Lima. Além dos recursos destinados ao documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, o ex-banqueiro afirmou que também teriam sido feitos pagamentos ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
- Segundo o relato atribuído a Vorcaro, as supostas cobranças estariam relacionadas à tentativa de conseguir investimentos de fundos de previdência ligados a instituições públicas, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios. A revista afirma que o banqueiro mencionou uma taxa de 10% sobre os valores que o Master conseguisse captar nessas operações.
- A reportagem também cita o ministro Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e pessoas ligadas a eles. Vorcaro afirma que esses contatos teriam ajudado na aproximação com dirigentes dos fundos. Mensagens encontradas no celular do banqueiro, segundo a publicação, registram conversas sobre reuniões e tentativas de viabilizar investimentos.
- O material teria sido apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR) como parte de uma proposta de colaboração. Conforme a Veja e a CNN Brasil, a apuração não avançou nessa parte do relato porque as autoridades consideraram insuficientes as provas disponíveis. A defesa de Vorcaro, por sua vez, afirmou que existiriam mensagens, registros e outros elementos que poderiam sustentar as declarações.
- Procurado pela revista, Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira relacionada a Vorcaro e afirmou não ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Padilha também negou relação com o banqueiro, enquanto Olavo Noleto declarou não ter recebido dinheiro dele.
- A reportagem ressalta ainda que não há comprovação de que Lula tenha participado do suposto esquema descrito pelo ex-banqueiro. As declarações atribuídas a Vorcaro e os documentos mencionados precisam ser analisados pelas autoridades, e as acusações não equivalem, por si só, a uma comprovação judicial dos fatos.
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