2 de novembro de 2026
Milei lança plano para cortar mais 20 mil vagas no serviço público da Argentina
Publicado em 21 de outubro de 2026 - 07h35
  1. O governo do presidente Javier Milei oficializou, nesta segunda-feira (19), um plano de desligamento voluntário que pode atingir cerca de 21,2 mil servidores da administração pública federal da Argentina. A medida faz parte da política de austeridade do governo, que busca reduzir despesas e diminuir a estrutura do Estado. Desde dezembro de 2023, quando Milei assumiu a Presidência, aproximadamente 77,5 mil postos de trabalho públicos já foram eliminados.
  2. O programa foi estabelecido pelo Decreto 1.203/2026, publicado no Diário Oficial argentino. As adesões poderão ser feitas entre 1º e 30 de novembro, e os trabalhadores que aceitarem as condições receberão compensações financeiras conforme a idade e o tempo de serviço. Em contrapartida, ficarão impedidos de voltar a trabalhar no setor público nacional durante oito anos, e os cargos desocupados serão extintos.
  3. O governo apresenta a iniciativa como parte de uma reorganização administrativa voltada à redução dos gastos públicos. A estratégia ficou conhecida como política da “motosserra”, símbolo utilizado por Milei durante a campanha eleitoral para representar os cortes na estrutura estatal.

Sindicato denuncia pressão sobre servidores

  1. A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) rejeita o programa e questiona se a adesão será realmente voluntária. Segundo o secretário-geral da entidade, Rodolfo Aguiar, chefias estariam pressionando funcionários a aceitar o desligamento, sob ameaça de afastamento ou demissão.
  2. O sindicato também critica a redução do quadro de servidores e alerta para possíveis consequências na oferta de serviços públicos. A entidade afirma que a saída de profissionais experientes pode prejudicar o funcionamento de órgãos federais e relembra os efeitos de programas semelhantes adotados na Argentina na década de 1990.
  3. A ATE anunciou mobilização contra a medida e defende que os trabalhadores não aceitem a proposta. As denúncias de intimidação são atribuídas ao sindicato; o governo, por sua vez, apresenta o programa como uma opção de desligamento voluntário.

Mais de 77 mil postos foram eliminados

  1. Os cortes no serviço público fazem parte de uma política mais ampla de redução da estrutura estatal desde o início da gestão Milei, em dezembro de 2023. Segundo números divulgados pelo ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, cerca de 77,5 mil postos públicos foram suprimidos até 2026.
  2. O governo defende que a redução do funcionalismo contribui para economizar recursos e tornar a administração mais eficiente. A política também está associada à promessa de diminuir o peso do Estado sobre as contas públicas e abrir espaço para a redução de impostos.
  3. A iniciativa, no entanto, amplia o conflito entre o Executivo e as organizações sindicais, que questionam os efeitos dos cortes sobre o emprego, as condições de trabalho e a capacidade de atendimento da administração pública.

Desemprego chega a 7,9%

  1. O novo plano foi anunciado em um cenário de dificuldades no mercado de trabalho argentino. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que a taxa de desocupação chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, considerando a população economicamente ativa nas áreas pesquisadas pelo órgão.
  2. O indicador reforça a importância do debate sobre emprego no país, embora não permita atribuir a variação do desemprego exclusivamente aos cortes no funcionalismo. A situação do mercado de trabalho envolve também fatores como atividade econômica, contratações no setor privado e informalidade.
  3. Com o início das adesões previsto para novembro, o alcance efetivo do programa dependerá da quantidade de servidores que aceitarem as condições oferecidas. Enquanto o governo defende a redução de despesas, os sindicatos alertam para os riscos de enfraquecimento dos serviços públicos.
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