26 de agosto de 2026
Frango e ovos perdem valor enquanto alta do milho e da soja aperta avicultores em agosto
Publicado em 21 de agosto de 2026 - 10h29
  1. O avicultor paulista enfrenta maior pressão sobre a rentabilidade em agosto. O poder de compra em relação ao milho e ao farelo de soja caiu pelo segundo mês consecutivo, resultado da combinação entre a desvalorização do frango vivo e o encarecimento dos principais ingredientes usados na alimentação das aves, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (21) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
  2. No começo do mês, a quantidade elevada de frangos vivos disponível no mercado interno pressionou os valores pagos aos produtores. À medida que esse excedente foi absorvido, as cotações passaram a mostrar maior estabilidade, mas a melhora não foi suficiente para compensar o avanço dos custos com alimentação.
  3. Milho e farelo de soja ficaram mais caros em agosto. O movimento foi mais intenso no farelo, cuja valorização, segundo a equipe de Grãos do Cepea, está relacionada à maior disputa pelo produto entre compradores brasileiros e estrangeiros. A alta do dólar frente ao real também contribuiu para sustentar os preços do derivado da soja.
  4. O milho também ganhou valor ao longo do mês. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referência para Campinas (SP), estava em R$ 65,24 por saca de 60 quilos em 3 de agosto e chegou a R$ 67,74 no dia 20. A combinação de ração mais cara com preços enfraquecidos do animal reduz a quantidade de insumos que o produtor consegue comprar com a receita obtida na venda do frango.
  5. O mercado de ovos enfrenta movimento semelhante de pressão nos preços. Depois de uma primeira quinzena marcada por maior estabilidade, as cotações começaram a cair na segunda metade de agosto. O Cepea atribui a mudança principalmente à desaceleração das vendas, comportamento comum conforme o fim do mês se aproxima.
  6. Com a procura menor, atacadistas e varejistas aumentaram a pressão por descontos nas negociações. Parte dos produtores reduziu os valores para manter a saída da produção e evitar o crescimento dos estoques nas granjas. As quedas foram percebidas tanto nas regiões produtoras quanto nos mercados atacadistas dos principais centros consumidores.
  7. A oferta mais controlada de ovos, porém, tem funcionado como um freio para perdas maiores. Segundo os pesquisadores, a disponibilidade ajustada em algumas praças impediu que a retração dos preços fosse mais intensa, mesmo diante da demanda enfraquecida.
  8. O cenário coloca produtores de frango e de ovos diante de uma combinação desfavorável: insumos importantes ficam mais caros justamente em um momento de menor sustentação dos preços recebidos pela produção. A evolução do consumo, da oferta e das cotações de milho e farelo de soja será determinante para o comportamento do setor nas próximas semanas.
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