- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira (21), em uma conversa de cerca de 1 hora e 20 minutos marcada pelas tensões comerciais entre os dois países. Segundo o Palácio do Planalto, Lula contestou as justificativas usadas por Washington para impor novas tarifas a produtos brasileiros, defendeu a retomada das negociações e discutiu com Trump cooperação no combate ao crime organizado e caminhos diplomáticos para conflitos internacionais.
- Na área comercial, Lula classificou como “infundadas” as alegações apresentadas pelos Estados Unidos em investigações que envolveram temas como desmatamento ilegal, acordos tarifários preferenciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, comércio digital e meios eletrônicos de pagamento incluindo o Pix e acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro.
- Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros depois de concluir uma investigação aberta em 2025. O órgão norte-americano sustenta que algumas práticas brasileiras prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos. O governo brasileiro contesta essas conclusões.
- O Brasil também foi incluído em outra medida comercial do governo Trump, desta vez relacionada à ausência, segundo Washington, de mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A ação atingiu 60 economias e estabeleceu tarifa de 12,5% para produtos de parte dos países envolvidos.
- Durante o telefonema, Lula argumentou que as barreiras comerciais causam prejuízos aos dois países e afirmou que manter o diálogo seria a melhor alternativa para superar as divergências. De acordo com o relato divulgado pelo governo brasileiro, Trump concordou sobre a importância de preservar uma relação comercial forte e sugeriu que as equipes dos dois governos voltem a se reunir em breve.
- A segurança pública também entrou na conversa. Lula reiterou o interesse do Brasil em ampliar a cooperação com os Estados Unidos contra organizações criminosas, mas defendeu que facções que atuam no país não sejam equiparadas a organizações terroristas.
- Segundo o Planalto, o presidente afirmou que esses grupos provocam “terror cotidiano” principalmente nas comunidades mais vulneráveis, mas argumentou que o Brasil dispõe de instrumentos jurídicos e policiais próprios para enfrentá-los.
- Lula apresentou a Trump ações voltadas à descapitalização das facções e afirmou que medidas de asfixia financeira já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões. Também citou a Lei Antifacção, iniciativas de fortalecimento do sistema prisional e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus para ampliar a integração entre forças policiais da região.
- Ainda conforme o governo brasileiro, Trump demonstrou interesse em fortalecer essa cooperação e disse que pretende mobilizar integrantes de alto escalão da administração norte-americana para dar continuidade às conversas.
- O telefonema também avançou para a agenda internacional. Lula e Trump discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia e, segundo o Planalto, concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para o conflito. O presidente dos Estados Unidos também apresentou sua avaliação sobre as perspectivas envolvendo o confronto com o Irã.
- Lula voltou a criticar a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das guerras atuais e defendeu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas. A proposta já havia sido apresentada pelo brasileiro em conversas com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
- Ao abordar os conflitos internacionais, Lula afirmou que “os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.
- Até a conclusão desta checagem, o relato detalhado da ligação disponível publicamente havia sido divulgado pelo governo brasileiro. Não localizei um comunicado equivalente da Casa Branca com a versão norte-americana sobre todos os pontos apresentados durante o telefonema.
Lula liga para Trump, contesta tarifas e cobra retomada de negociações entre Brasil e EUA
Publicado em 21 de agosto de 2026 - 13h24