26 de agosto de 2026
Lula liga para Trump, contesta tarifas e cobra retomada de negociações entre Brasil e EUA
Publicado em 21 de agosto de 2026 - 13h24
  1. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira (21), em uma conversa de cerca de 1 hora e 20 minutos marcada pelas tensões comerciais entre os dois países. Segundo o Palácio do Planalto, Lula contestou as justificativas usadas por Washington para impor novas tarifas a produtos brasileiros, defendeu a retomada das negociações e discutiu com Trump cooperação no combate ao crime organizado e caminhos diplomáticos para conflitos internacionais.
  2. Na área comercial, Lula classificou como “infundadas” as alegações apresentadas pelos Estados Unidos em investigações que envolveram temas como desmatamento ilegal, acordos tarifários preferenciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, comércio digital e meios eletrônicos de pagamento incluindo o Pix e acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro.
  3. Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros depois de concluir uma investigação aberta em 2025. O órgão norte-americano sustenta que algumas práticas brasileiras prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos. O governo brasileiro contesta essas conclusões.
  4. O Brasil também foi incluído em outra medida comercial do governo Trump, desta vez relacionada à ausência, segundo Washington, de mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A ação atingiu 60 economias e estabeleceu tarifa de 12,5% para produtos de parte dos países envolvidos.
  5. Durante o telefonema, Lula argumentou que as barreiras comerciais causam prejuízos aos dois países e afirmou que manter o diálogo seria a melhor alternativa para superar as divergências. De acordo com o relato divulgado pelo governo brasileiro, Trump concordou sobre a importância de preservar uma relação comercial forte e sugeriu que as equipes dos dois governos voltem a se reunir em breve.
  6. A segurança pública também entrou na conversa. Lula reiterou o interesse do Brasil em ampliar a cooperação com os Estados Unidos contra organizações criminosas, mas defendeu que facções que atuam no país não sejam equiparadas a organizações terroristas.
  7. Segundo o Planalto, o presidente afirmou que esses grupos provocam “terror cotidiano” principalmente nas comunidades mais vulneráveis, mas argumentou que o Brasil dispõe de instrumentos jurídicos e policiais próprios para enfrentá-los.
  8. Lula apresentou a Trump ações voltadas à descapitalização das facções e afirmou que medidas de asfixia financeira já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões. Também citou a Lei Antifacção, iniciativas de fortalecimento do sistema prisional e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus para ampliar a integração entre forças policiais da região.
  9. Ainda conforme o governo brasileiro, Trump demonstrou interesse em fortalecer essa cooperação e disse que pretende mobilizar integrantes de alto escalão da administração norte-americana para dar continuidade às conversas.
  10. O telefonema também avançou para a agenda internacional. Lula e Trump discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia e, segundo o Planalto, concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para o conflito. O presidente dos Estados Unidos também apresentou sua avaliação sobre as perspectivas envolvendo o confronto com o Irã.
  11. Lula voltou a criticar a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das guerras atuais e defendeu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas. A proposta já havia sido apresentada pelo brasileiro em conversas com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
  12. Ao abordar os conflitos internacionais, Lula afirmou que “os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.
  13. Até a conclusão desta checagem, o relato detalhado da ligação disponível publicamente havia sido divulgado pelo governo brasileiro. Não localizei um comunicado equivalente da Casa Branca com a versão norte-americana sobre todos os pontos apresentados durante o telefonema.
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